Dilemas472

















Vol. 2 - n. 4 - ABR-MAI-JUN - 2009

Como nos mobilizamos? A contribuição de uma abordagem pragmatista para a sociologia da ação coletiva

Daniel Cefaï
Professor, EHESS
A pertinência de pesquisas "pragmáticas" feitas na França desde os anos 1980 e de ideias do pragmatismo americano para uma sociologia das mobilizações
coletivas é analisada neste artigo, a partir de quatro pontos: 1) O desenvolvimento de uma sociologia dos regimes de ação e de procedimentos hermenêuticos; 2) A reativação da noção de "público"; 3) A concepção das redes e das organizações
como arenas de experiência e de ação; 4) O enriquecimento da abordagem instrumental da cultura por uma concepção centrada na formação de experiências individuais e coletivas.
Palavras-chave: pragmatismo, mobilizações coletivas, Escola de Chicago, sociologia francesa, público.
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à espera de respostas: Reflexões sobre o trabalho da Justiça Criminal
Luiz Fábio Silva Paiva
Professor, UFAM

Este artigo aborda as percepções de cidadãos a respeito da apuração e punição de crimes pela Justiça Criminal. A pesquisa foi realizada no período de 2005 a 2007 em um bairro de Fortaleza, Ceará, em matérias de jornais, entrevistas com moradores e observação direta, e analisou homicídios: a) que permaneceram sem solução; b) com indiciamento de morador que permaneceu livre por período além das expectativas dos vizinhos; c) devidamente apurados, com punição dos criminosos, mas com detenções por período inferior aos anseios dos moradores.
Palavras-chave: violência, crime, justiça, cotidiano.

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Ocupando as brechas do direito formal: O PCC como instância alternativa de resolução de conflitos

Camila Caldeira Nunes Dias
Colaboradora, Observatório de Segurança Pública da UNESP e do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da UFPR
O fato de o direito ofi cial, quando se mostra incapaz de se constituir como fonte universal de regulação, deixar brechas, ocupadas por instâncias informais - caso do Primeiro Comando da Capital (PCC), nas prisões de São Paulo - é analisado neste artigo. Por meio de entrevistas, observação direta e reportagens jornalísticas, demonstra-se como, desde sua criação, essa instância reguladora migrou de um
modelo de demonstração simbólica (e violenta) do poder para formas mais racionais de seu exercício, por meio de "tribunais" com decisões coletivas.
Palavras-chave: crime organizado, prisão, direito informal, poder, PCC
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Manda quem pode e obedece quem tem juízo? Uma reflexão antropológica sobre disputas e conflitos nos espaços públicos brasileiro e francês
Fabio Reis Mota
Professor, Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA/UFF)
O objetivo deste texto é contribuir para uma compreensão antropológica acerca do significado da categoria conflito nos espaços públicos brasileiro e francês, buscando ressaltar de que modo os regimes de ação dos atores são acionados de acordo com as gramáticas ou sensibilidades jurídicas que informam as suas tomadas de posição, focalizando a maneira como as disputas são conduzidas pelos atores em interação. Toma-se como ponto de partida duas situações vivenciadas no Brasil e na França,
com o propósito de contrastá-las.
Palavras-chave: conflito, disputa, espaço público, França-Brasil, hierarquia
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O desgosto da "mistura" com prostitutas e favelados: Mudanças e paradoxos no campo dos direitos humanos
Ana Paula Galdeano
Pós-Doutoranda, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento/Centro de Estudos da Metrópole (Cebrap/CEM)
As relações entre narrativas da violência e participação política são examinadas neste artigo. Em particular, explora a maneira pela qual estereótipos de classe, gênero e faixa etária são constitutivos das narrativas de violência entre moradores de um bairro de classe média. O universo empírico central são os Conselhos Comunitários de Segurança de São Paulo, onde policiais, representantes das prefeituras, moradores,
líderes de associações de bairro e entidades de defesa dos direitos se reúnem para
falar sobre seus problemas locais.
Palavras-chave: violência, participação política, Conseg, estigma.
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Mercados, ilegais e desorganizados: Entrevista com Peter Reuter
Michel Misse, Pedro Paulo de Oliveira, Alexandre Werneck, Carolina Grillo e
Benjamin Lessing

Autor de um dos clássicos dos estudos sobre crime organizado, Disorganized Crime, o economista americano Peter Reuter foi entrevistado por Dilemas. Dedicado há anos às discussões sobre políticas de drogas, um cenário em que muitas vezes faltam estudos rigorosos motivados por bem formuladas perguntas de pesquisa e não por agendas políticas, ele se notabilizou por produzir essas informações. E afi rma na conversa que, no que diz respeito às drogas, o mais importante é a "análise que esteja acima do julgamento de valores".
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